O que é concorrência perfeita?

Em microeconomia, a concorrência perfeita é uma situação ideal de mercado na qual existe uma grande quantidade de vendedores e uma grande quantidade de compradores. Esse cenário favoreceria um equilíbrio natural nos preços pela relação entre a oferta e a demanda.

Também chamada de concorrência pura, a concorrência perfeita é um conceito que não se verifica no mundo real, sendo mais um modelo teórico do que prático. O setor de hortifrutigranjeiros costuma ser apontado como o exemplo mais próximo desse modelo.

Em um mercado de concorrência perfeita, a tendência é de que, no longo prazo, as receitas das empresas correspondam a seu custo total.

Esse custo total inclui o custo de oportunidade, que é a remuneração do empresário, também chamada de lucro normal. O lucro normal seria uma rentabilidade média do mercado, correspondendo a quanto o empresário ganharia se tivesse escolhido aplicar seu dinheiro em outra atividade. O mercado de concorrência pura evita, portanto, o chamado lucro extra ou lucro extraordinário, que é a disparidade entre a receita e o custo.

Estrutura do mercado de concorrência perfeita

Em uma situação de concorrência perfeita, o número de vendedores e consumidores precisaria ser grande o suficiente para que nenhum player do mercado pudesse, sozinho, influenciar o seu equilíbrio.

Assim, se um vendedor abaixasse ou aumentasse seu preço deliberadamente, esse movimento não teria influência na dinâmica do mercado como um todo. A redução do preço para valores abaixo dos praticados terminaria com o fim dos estoques desse vendedor, enquanto que o aumento faria com que o consumidor migrasse imediatamente para outras marcas.

Além disso, para haver uma concorrência perfeita, os produtos oferecidos deveriam ser similares. Não poderia haver diferenciação na qualidade, na embalagem ou nos serviços associados, como o pós-venda, por exemplo. Isso significa que o consumidor encontraria sempre opções similares para substituir sua compra.

O mercado também precisaria ser permeável, ou seja, totalmente aberto à entrada de novos concorrentes. Por fim, deveria se verificar a livre circulação de informações, incluindo sobre lucros e preços. Nesse sistema, o fato de uma empresa obter lucros muito altos logo atrairia novos concorrentes para o mercado, obrigando essa companhia a reduzir os seus ganhos.

Concorrência perfeita no mercado de fatores de produção

A estrutura de concorrência perfeita não se aplica apenas ao mercado de bens e serviços. Ela também pode ser pensada para o mercado de fatores de produção, que são o conjunto de elementos indispensáveis a um processo produtivo, como a mão de obra e os recursos naturais.

Em um mercado de fatores de produção com concorrência perfeita, existiria, por exemplo, uma oferta abundante de mão de obra e de fornecedores, tornando os preços desses fatores constantes para as empresas.

Tipos de mercado

O mercado de concorrência perfeita se opõe a outros tipos de mercado mais comuns no mundo real, como o monopólio e o oligopólio. O monopólio corresponde a uma situação em que há apenas um vendedor que, por sua exclusividade, tem o poder de ditar seus preços. Já no oligopólio, que é uma estrutura de mercado concentrada em poucas empresas, existe o risco de os vendedores combinarem preços.

Outra situação mais comum é a chamada concorrência monopolista, uma estrutura intermediária entre a concorrência pura e o monopólio. Ela se caracteriza por ter um número relativamente grande de vendedores, mas que comercializam produtos diferenciados. Cada um possui um nicho particular, tendo alguma margem de manobra para estabelecer preços. No entanto, essa margem não é infinita, porque o consumidor pode optar por produtos substitutos.

Os desequilíbrios nas estruturas de mercado também pode ser verificado do ponto de vista dos consumidores. No monopsônio, existe apenas um comprador para muitos vendedores de insumos ou serviços. Em uma lógica similar, o oligopsônio corresponde a um mercado com poucos compradores. Em ambos os casos, esses compradores têm o poder de negociar preços mais vantajosos, em detrimento dos interesses e das necessidades dos vendedores.

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