Rendimento da poupança: saiba quanto rende e se vale a pena

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Economista

A poupança é uma forma de guardar dinheiro ainda muito adotada pelos brasileiros. O valor depositado em uma conta específica, rende juros todos os meses na data do "aniversário da poupança".

O rendimento desta aplicação financeira depende do ritmo adotado pelo Banco Central ao definir a meta da taxa Selic. Além dela, a poupança tem somada outra taxa conhecida como Taxa Referencial, ou simplesmente "TR". Sendo assim, é dito que a poupança rende a Selic mais a TR no período que o dinheiro esteve depositado.

Apesar de a taxa Selic ser utilizada pelo Bacen no controle da inflação, não é sempre que a poupança rende juros que cobrem o poder de compra do período. Acompanhe abaixo para saber mais.

Quanto rende a poupança?

O rendimento atual da poupança para novos depósitos é de 6,17% mais TR ao ano, enquanto o rendimento mensal está em 0,5% mais TR. Este valor se deve aos 9,25% da taxa básica de juros definida pelo Banco Central, a Selic.

A esse ritmo, cada R$ 100 depositados na poupança renderiam R$ 6,17 em um ano, mais um adicional que depende do valor da Taxa Referencial. Ao mês esse rendimento seria de R$ 0,50.

Histórico da poupança

Ao deixar o dinheiro guardado na poupança, é importante entender quando ela oferece uma rentabilidade que permite cobrir a inflação. Isso acontece quando os seus juros reais são positivos.

Na tabela abaixo você fica a conhecer os juros atribuídos à poupança nos últimos meses para novos depósitos, bem como se o rendimento cobriu a inflação (juros reais):

Rendimento da Poupança em 2021
Mês Rendimento mensal Rendimento anual Inflação anual (IPCA/IBGE) Rendimento real em 1 ano
JAN 0,1159% 1,9665% 4,559% -2,4796%
FEV 0,1159% 1,8212% 5,195% -3,2075%
MAR 0,1159% 1,6905% 6,099% -4,1555%
ABR 0,1590% 1,6324% 6,759% -4,8023%
MAI 0,1590% 1,5744% 8,056% -5,9984%
JUN 0,2019% 1,6034% 8,347% -6,2241%
JUL 0,2446% 1,7194% 8,995% -6,6750%
AGO 0,2446% 1,8355% 9,680% -7,1520%
SET 0,3012% 2,0240% 10,246% -7,4582%
OUT 0,3575% 2,2702% 10,673% -7,5921%
NOV 0,4412% 2,6025% 10,739% -7,3470%
DEZ 0,4902% 2,9861% 10,061% -6,4281%

A tabela acima se refere a novos depósitos, já que a poupança oferece rentabilidade diferenciada para quem depositou antes de 4 de maio de 2012. Neste caso o cálculo do rendimento é feito da forma "antiga".

Veja como foi o rendimento das duas poupanças e os ganhos (ou perdas) reais que tiveram nos dois casos desde então:

Rendimento da poupança dos últimos anos (antiga e nova)
Ano Poupança antiga Ganho real anual Poupança nova Ganho real anual Inflação (IPCA/IBGE)
2013 6,3705% 0,4342% 5,8150% -0,0904% 5,9107%
2014 7,0799% 0,6319% 7,0799% 0,6319% 6,4075%
2015 8,0739% -2,3485% 8,0739% -2,3485% 10,6730%
2016 8,3047% 1,8974% 8,3047% 1,8974% 6,2880%
2017 6,8015% 3,7437% 6,6141% 3,5617% 2,9474%
2018 6,1678% 2,3347% 4,6230% 0,8457% 3,7456%
2019 6,1678% 1,7848% 4,2576% -0,0465% 4,3062%
2020 6,1678% 1,5790% 2,1121% -2,3014% 4,5175%

Para aplicações na poupança antes disso, o rendimento oferecido em cada ano, assim como o seu rendimento real, podem ser vistos nas tabelas abaixo:

Rendimento da poupança (2000-2012)
Ano Poupança antiga Inflação anual (IPCA/IBGE) Ganho real em 1 ano
2000 8,3935% 5,9746% 2,2825%
2001 8,5941% 7,6734% 0,8550%
2002 9,1432% 12,5303% -3,0099%
2003 11,1031% 9,3005% 1,6492%
2004 8,0984% 7,5995% 0,4637%
2005 9,1760% 5,6892% 3,2991%
2006 8,3312% 3,1415% 5,0316%
2007 7,7022% 4,4577% 3,1060%
2008 7,9037% 5,9027% 1,8894%
2009 6,9204% 4,3117% 2,5009%
2010 6,8992% 5,9087% 0,9352%
2011 7,4503% 6,5034% 0,8891%
2012 6,4753% 5,8386% 0,6016%

O rendimento da poupança para quem depositou em 4 de maio de 2012 e manteve até o final daquele ano foi de 3,32% acumulados.

Lembrando que se deseja corrigir o valor de seus depósitos desde a data efetiva do depósito, basta utilizar a calculadora oferecida pelo Banco Central do Brasil.

Como funciona o rendimento da poupança

As regras da poupança estão definidas desde 1991 no art.12 da Lei nº 8.177, estabelecendo que a sua rentabilidade é dada pela taxa Selic e a Taxa Referencial (TR). Por serem conhecidas as pré-condições, é considerada um investimento na classe das rendas fixas.

Para quem depositou na caderneta antes de 3 de maio de 2012, o rendimento atribuído é de 0,5% ao mês, acrescido da Taxa Referencial (TR). Depois dessa data, o Bacen definiu as seguintes condições quanto à taxa Selic:

  • Será de 0,5% ao mês no período, enquanto a meta da taxa Selic estiver acima dos 8,5% anuais,
  • Já se a meta anual da Selic estiver igual ou inferior aos 8,5%, a remuneração será de 70% deste valor calculada de forma mensalizada.

O acréscimo à conta de pessoas físicas dos juros acontece no "aniversário da poupança". Este é o mesmo dia do mês em que a conta havia sido aberta - a não ser que tenha sido entre os dias 29 e 31 do mês, em que se considera o primeiro dia para os juros. Em outros casos, o pagamento de juros é feito trimestralmente.

Ainda conforme as regras do Banco Central, o cálculo dos juros deve ser aplicado sobre o menor dos saldos depositados em conta naquele mês. Isso quer dizer que se você movimentar a conta antes do seu aniversário, os rendimentos serão menores.

Vale lembrar que a poupança não precisa estar vinculada a uma conta-corrente. Basta procurar uma agência bancária e pedir para que uma conta poupança seja aberta em seu nome.

Quando vale a pena depositar na poupança

A poupança é muitas vezes a porta de entrada das pessoas no mundo dos investimentos. Isso faz sentido para quem está começando a guardar dinheiro por alguns meses até começar o aporte em outras aplicações financeiras.

Além da simplicidade que oferece, a poupança é considerada de fácil acesso já que apenas é preciso abrir uma conta e depositar o seu dinheiro.

Porém, como foi visto acima, existem períodos em que ela não cobre a inflação, deixando o investidor com perda do seu poder de compra. Isso torna a caderneta de poupança a aplicação menos vantajosa entre as de renda fixa, mesmo com o aumento da taxa Selic e da TR conforme as regras do Banco Central.

Outros investimentos em renda fixa podem ser opção, seja para começar a investir, ou compor a carteira de aplicações. Exemplos são os títulos do Tesouro Direto, CDBs e até os fundos DI.

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (2021), em Portugal
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