Demonstração do Valor Adicionado (DVA)

A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um demonstrativo contábil que tem por finalidade evidenciar a riqueza que foi gerada pela companhia em um período de tempo e a forma como ela foi distribuída entre diversos setores envolvidos no processo.

O conceito de riqueza que está na base da DVA corresponde à diferença de valores entre aquilo que empresa produziu e os bens e serviços que ela utilizou nesse processo, que foram produzidos por terceiros.

Para exercer sua atividade, uma empresa compra matéria-prima, contrata trabalhadores e pega financiamentos bancários, por exemplo. Tudo isso pode ser medido em valores monetários. Quando a companhia coloca no mercado seu produto ou serviço, ele valerá mais do que a soma dos fatores adquiridos para sua produção. Esse valor que a empresa “adicionou” durante o processo é a riqueza gerada.

O que a DVA faz é detalhar de que forma essa riqueza foi distribuída entre funcionários, fornecedores, agentes financiadores, acionistas e governo, ou seja, entre todos os setores que participaram, diretamente ou indiretamente, da sua geração. É, portanto, uma forma de mostrar como a empresa contribuiu para o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Para que serve a DVA?

A DVA é obrigatória para empresas de capital aberto, as chamadas S.A., por força da lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e sua adoção foi regulamentada em 2008 pelo pronunciamento técnico CPC 09. Nessas companhias que negociam ações em bolsa, o demonstrativo costuma ser elaborado anualmente, junto com os demais relatórios de contabilidade.

Entretanto, embora a legislação não obrigue as demais empresas a publicarem o documento, elas podem fazer isso para fins gerenciais. Com essa finalidade, a DVA pode ser usada para medir a eficiência da empresa na transformação dos recursos em riqueza.

Em uma perspectiva mais social, a análise desse relatório também é útil para avaliar de que forma a organização contribui para a sociedade na qual se insere. Isso pode ser usado, por exemplo, para que órgãos da administração pública tenham uma ideia do tipo de benefícios que a instalação de uma empresa pode trazer a uma comunidade.

Esse documento também serve de base para que sindicatos façam comparações, entre empresas de um mesmo segmento, dos valores destinados aos trabalhadores e da evolução da remuneração, além de ajudar os governos a entenderem de que forma cada categoria contribui para a receita tributária do país, dentre outras funções.

Como elaborar a DVA

Para fazer a DVA, são utilizadas informações disponíveis na Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), documento que também é elaborado pela contabilidade da empresa.

Na prática, a DVA é uma forma diferente de visualizar as informações da DRE. Em vez de demonstrar o resultado da empresa no período, ou seja, como chegou a determinado lucro ou prejuízo, na DVA os dados são organizados entre o que a empresa recebeu e o que ela pagou.

Estrutura da DVA

A DVA começa distribuindo as informações dos valores que a empresa recebeu. Nesse primeiro grupo da planilha estão, por exemplo, a receita bruta com vendas e os ganhos de capital. O segundo grupo apresenta os insumos que a empresa adquiriu de terceiros, o que inclui não apenas mercadorias e matéria-prima como também serviços e energia, dentre outros.

A diferença entre os valores do primeiro e do segundo grupo representa o valor adicionado bruto. Desse valor serão descontadas as despesas com amortização, depreciação e exaustão, resultando no valor adicionado líquido produzido pela organização.

Além desse valor que produziu, a empresa pode ter recebido ainda outras quantias por transferência, como juros e doações. A soma desses dois grupos resulta no valor adicionado total que será distribuído.

Depois de detalhar como a empresa gerou riqueza, a segunda metade da DVA tem como objetivo mostrar como ocorreu sua distribuição. Esta etapa começa demonstrando quanto foi gasto com pessoal (salários, benefícios etc.) e, depois, quanto foi pago em impostos e outras contribuições para as três esferas do governo.

A distribuição da riqueza inclui ainda a remuneração da riqueza de terceiros – por exemplo, os juros pagos e os aluguéis – e, por fim, a remuneração dos capitais próprios da companhia, que é onde são informados os lucros retidos pela empresa e os lucros distribuídos entre seus sócios, dentre outras informações.

O resultado apurado na primeira metade do relatório, ou seja, o valor adicionado total distribuído, precisa ser obrigatoriamente igual ao resultado da segunda metade da DVA, que corresponde à distribuição do valor adicionado. Se isso não ocorrer, há erro na contabilidade.

Modelo de DVA

O modelo básico da DVA organiza as contas da seguinte forma:

1, RECEITAS (valores brutos, com impostos)

     1.1 Venda de mercadorias, produtos e serviços

     1.2 Outras receitas

     1.3 Resultados não operacionais (ganho de capital)

     1.4 Provisão para créditos de liquidação duvidosa – Constituição/Reversão

2. INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (com ICMS e IPI)

     2.1 Custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos (valores pagos a terceiros, não inclui gastos com pessoal próprio)

     2.2 Materiais, energia, serviços de terceiros

     2.3 Perda/recuperação de valores ativos

     2.4 Outros

3. VALOR ADICIONADO BRUTO (= 1-2)

4. RETENÇÕES

     4.1 Depreciação, amortização e exaustão

5. VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (= 3-4)

6. VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA

     6.1 Resultado de equivalência patrimonial (pode ser negativo ou positivo)

     6.2 Receitas financeiras (por exemplo, juros recebidos)

     6.3 Outras receitas (incluem aluguéis recebidos, direitos de franquia, etc.)

7. VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (= 5+6)

8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO

     8.1 Pessoal

          8.1.1 Remuneração direta (salários, 13º, férias, comissões, horas-extras, dentre outros)

          8.1.2 Benefícios (plano de saúde, alimentação, transporte etc.)

          8.1.3 FGTS

     8.2 Impostos, taxas e contribuições

          8.2.1 Federais

          8.2.2 Estaduais

          8.2.3 Municipais

     8.3 Remuneração de capitais de terceiros

          8.3.1 Juros (pagos a terceiros)

          8.3.2 Aluguéis

          8.3.3 Outras (outros valores pagos a terceiros, como royalties, franquias, direitos autorais etc.)

     8.4 Remuneração de capitais próprios

          8.4.1 Juros sobre o capital próprio

          8.4.2 Dividendos

          8.4.3 Lucros retidos/prejuízo do exercício

          8.4.4 Participação dos não-controladores nos lucros retidos (só na consolidação)

Atenção! Os valores de 7 e 8 devem ser exatamente iguais.

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